quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Hoje faz um ano...

...que deixei aqui as minhas primeiras palavras.

Olho para trás e gosto de me reler. São essencialmente momentos bons da minha vida, são marcos, são homenagens a quem me faz, são a minha memória escrita, porque essa não se apaga, e mesmo as contrariedades que num ou noutro texto deixei relatadas são desabafos, são pedidos de consolo ou de mudança.

Que assim continue a ser.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Só sou filha única no registo

Não tenho irmãos. Apesar de sempre ter vivido bem nessa condição de filha única, porque tenho um primo/irmão/”filhinho” com quem partilhei todos os fins-de-semana da minha infância, pedi várias vezes aos meus pais um irmão mais velho. Mesmo perante a impossibilidade biológica de isso acontecer, com a argumentação própria de uma criança, que não conhece o impossível, pedia à minha mãe para guardar o meu irmão na barriga até ser mais velho do que eu e estar pronto para saltar cá para fora. Desejo não concedido.

Com 10 anos conheci a minha primeira irmã. Gordinha, de cabelo liso, fato verde menta com um cinto da mesma cor. Perguntou-me, sem me conhecer, se era eu a Ana Alvarenga. Era. Partilhamos a mesma mesa na escola. E muito mais ao longo da vida. Campos de férias, viagens ao estrangeiro, fins-de-semana alternados em minha ou em casa dela, fins de tarde. Contei-lhe um segredo, daqueles grandes. A minha irmã ficou magra, mas de resto os mais de 20 anos passados não a mudaram nem um bocadinho. As fotografias comprovam-no. Esta é a minha irmã com quem gosto de falar de política, de assuntos sérios, de assuntos jurídicos. Esta minha irmã trocou o título do poema que escolhi para ser lido no dia do meu casamento. Vinicius não se importaria se soubesse. Acho que nunca me zanguei com esta minha irmã. E os outros dirão que não tem um feitio fácil. Esta minha irmã sabe o que eu penso só de olhar para mim. Não tenho uma irmã que conheça tão bem o meu olhar.
Foi um pouco mais tarde, que através da minha primeira irmã, conheci a minha segunda irmã. Mais velha do que eu. Pouco, mas o suficiente para, com aqueles 11 anos de idade, fazer toda a diferença. Tinha um corpo diferente do meu e já tinha um namorado. Nunca andamos na mesma escola, mas fomos andando lado a lado ao longo da vida. Viagens ao estrangeiro, primeira viagem ao Algarve numa Vito. A minha irmã ficou mais magra e mais gordinha ao longo dos tempos e vice-versa. As fotografias mostram essa inconstância. Esta é a minha irmã mais frágil. Um dia criticou-me por não ter escolhido a arte como profissão. Mas foi por causa dela que passei a escrever aqui, publicamente. Sei que não me conta muitas coisas, sei que sabe que algumas das suas decisões não iriam ter a minha aprovação, mas sei que nunca questionou que encontra sempre em mim um abraço. Não tenho uma irmã que conheça tão bem o meu abraço.

Com 12 anos conheci a minha terceira irmã. Com o mesmo nome que eu. Partilhamos a mesma mesa na escola. E muito mais ao longo da vida (tanto!). Férias, viagens ao estrangeiro, fins-de-semana, fins de tarde. Contou-me um segredo, daqueles grandes. A minha irmã mudou muito nos últimos 20 anos. As fotografias não o negam. Como eu, já teve o cabelo de tantas e variadas cores, incluindo verde. Esta é a minha irmã com quem gosto de falar de ideias, da vida, de sentimentos, de amor. Só me zanguei uma vez com a minha irmã. E, apesar de na época, ter achado que tinha razão, escrevi-lhe para que nos pudéssemos desculpar. Esta minha irmã esteve grávida ao mesmo tempo que eu. Tal como eu tinha desejado. Esta minha irmã é o melhor como mãe, o melhor mesmo. Tal como eu sempre tinha pensado. Esta minha irmã percebe todas as dimensões do que digo, cada sentido do que escrevo. Não tenho uma irmã que conheça tão bem as minhas palavras.
Passaram-se 20 anos. Como prometido, ao ver as nossas “sósias do futuro”, daqui a 20 ou 40 anos estaremos, seguramente, as 4 a tomar chá no Laguinho.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Que 2013 faça a sua parte

Não tenho especial apreço por passagens de ano. Tanto me dá uma festa mais caseira ou um baile com glamour, uma festa sobrelotada ou um brinde mais privado.

Mas este ano senti a passagem de ano de outro modo. Não que me preocupasse a roupa, a música, a comida ou a marca de champanhe. Mas desejava que tivesse significado. Porque 2012, depois de se ter seguido ao ano das nossas vidas, me tinha dado tanto e agora ficava selado nos desejos que projectamos para 2013. 2012 não acabou às 0:00 horas de 31. 2012, no que me trouxe, nas minhas conquistas, nas minhas decisões, nos meus sonhos, nas minhas frustrações e nos meus erros está em 2013.
E, por isso, enchi balões coloridos para oferecer a quem tem desejos que tocam os meus, para juntos serem lançados com cada um dos nossos pedidos.



Não pedi nada de extraordinário, no sentido de que é concebível, possível e que depende de mim, de nós. Ao mesmo tempo pedi o que de mais extraordinário existe, no sentido de que fará toda a diferença, marcará 2013 e os anos que se seguem. Como já disse, os desejos que chegam ao céu têm que ser concedidos.

Eu vou fazer por isso. A cada dia. Que 2013 faça a sua parte. 
A quem me lê que 2013 prove que o que desejam é possível. À minha mana do coração que 2013 nos aproxime ainda mais.